Bênçãos ontem e hoje: a glória

Quem é transformado por Cristo começa, pouco a pouco, a refletir Cristo.

POR VALDIR JOSÉ DA SILVA ─:

  • Publicação: PARA MEMORIZAR E PENSAR
  • Série: Romanos, a graça e a justiça de Deus reveladas.
  • Título: Israelitas e Cristãos: bênçãos ontem e hoje – a glória
  • Texto base: Romanos 9:4-5

“São israelitas. A eles pertence a adoção, assim como a GLÓRIA, as alianças, a promulgação da Lei, o culto e as promessas. Deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para sempre. Amém!”

Ontem começamos nossa reflexão sobre a primeira das grandes bênçãos mencionadas por Paulo: a adoção. Hoje chegamos à segunda: a glória. Ele está mostrando os privilégios que seus irmãos, judeus, tiveram e isso causa dor nele quando estes rejeitam entender o cumprimento da velha aliança em Jesus.

Talvez, à primeira vista, essa palavra, “glória”, pareça abstrata. Mas, para um israelita que conhecia as Escrituras, “a glória do Senhor” era uma expressão carregada de significado. Ela remetia à presença majestosa de Deus no meio do seu povo, uma presença que, em determinados momentos, podia ser percebida de maneira extraordinariamente concreta.

Ao longo do Antigo Testamento, encontramos a glória do Senhor enchendo o tabernáculo, enchendo o templo, sendo contemplada por profetas e envolvendo momentos decisivos da história de Israel.

E aqui está algo maravilhoso: a história da glória não terminou no Antigo Testamento. Ela chega ao seu ponto máximo em Cristo e, depois, alcança a vida daqueles que pertencem a Cristo.

Quando Paulo diz que aos israelitas pertencia “a glória”, ele está lembrando que aquele povo tinha recebido um privilégio enorme: Deus havia decidido manifestar a sua presença no meio deles. A nuvem durante o dia e o fogo durante a noite acompanhavam Israel no deserto (Êxodo 13:21-22).

Quando o tabernáculo foi concluído, a glória do Senhor o encheu de tal maneira que Moisés não podia entrar (Números 9:15-23 e Êxodo 40:34-35).

Imagine o significado disso para aquele povo: Deus estava no meio deles. A glória era uma confirmação visível de que o Senhor havia escolhido habitar entre o seu povo, guiá-lo e acompanhá-lo. É impressionante perceber quantas vezes a glória do Senhor aparece na história bíblica. No deserto, por exemplo, a glória do Senhor apareceu ao povo quando Deus lhes deu o maná (Êxodo 16:10).

No Sinai, Deus se manifestou em meio a nuvem, fogo e grandeza. Mas um dos momentos mais marcantes acontece quando o tabernáculo é concluído: “Então a nuvem cobriu a tenda do encontro, e a glória do SENHOR encheu o tabernáculo.” (Êxodo 40:34)

E a glória acompanhou Israel durante suas peregrinações. Quando a nuvem permanecia sobre o tabernáculo, o povo permanecia; quando ela se levantava, o povo partia. Mais tarde, quando Salomão inaugurou o templo, aconteceu algo semelhante:

“Quando os sacerdotes saíram do lugar santo, uma nuvem encheu a Casa do SENHOR, de maneira que os sacerdotes não puderam permanecer ali para ministrar, porque a glória do SENHOR havia enchido a Casa do SENHOR.” (1 Reis 8:10-11)

Essa glória também foi contemplada por pessoas. Isaías teve uma visão do Senhor assentado sobre um alto e sublime trono e ouviu os serafins proclamando: “Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.” (Isaías 6:3)

E talvez nenhuma experiência pessoal seja tão conhecida quanto a de Moisés. Depois de estar na presença de Deus no monte Sinai, a pele do rosto de Moisés resplandecia. Ele nem sequer sabia disso, mas o povo percebeu que seu rosto brilhava depois de ter falado com o Senhor. Moisés esteve diante da glória e saiu daquela experiência carregando em seu rosto o reflexo dela. Mas aqui começa uma diferença fundamental entre Moisés e nós.

Precisamos chegar ao Novo Testamento. João escreve algo que parece quase uma releitura de Êxodo: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (João 1:14)

A palavra utilizada por João para “habitou” possui uma ligação muito significativa com a ideia de armar sua tenda, tabernacular. No Antigo Testamento, a glória de Deus enchia o tabernáculo. Agora, em Cristo, Deus veio habitar entre nós em carne. A glória não estava mais limitada ao tabernáculo ou ao templo. Foi revelada na pessoa de Jesus Cristo. Os discípulos puderam contemplá-la em sua vida, em seus sinais, em sua morte e, especialmente, em sua ressurreição.

João 2:11 diz que, ao realizar seu primeiro sinal em Caná, Jesus manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele. Paulo também afirma que, em Cristo, “brilha a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2 Coríntios 4:4).

Jesus não apenas aponta para a glória, Ele revela a glória de Deus.

O que o cristão possui hoje? Vejamos a maravilhosa revelação. Em 2 Coríntios 3, Paulo compara a experiência de Moisés com a realidade daqueles que estão em Cristo. Moisés desceu do monte com o rosto resplandecente. Entretanto, aquela glória estava relacionada à antiga aliança e era transitória e ia desvanecendo. Paulo diz que aquilo que estava sendo substituído possuía glória, mas que muito maior é a glória da nova aliança. E então chega ao versículo 18:

“E todos nós, com o rosto descoberto, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, que é o Espírito.” (2 Coríntios 3:18)

Moisés contemplou a glória e seu rosto brilhou. Nós contemplamos a glória do Senhor e somos transformados à sua imagem. E uma glória que pode ser cada vez maior.

Paulo diz que essa transformação acontece “de glória em glória” — expressão que outras traduções apresentam como “com glória cada vez maior” ou “de um grau de glória a outro”.

O cristão está sendo transformado. Cada vez mais parecido e refletindo a Cristo. Paulo diz que essa transformação acontece pelo Espírito do Senhor. Se contemplamos a glória de Cristo e estamos sendo transformados à sua imagem, então nossa vida precisa começar a refletir essa glória. A glória que transforma também exige transformação:

“Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o corpo de vocês como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o culto racional de vocês.” (Romanos 12:1).

Em seguida: “E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente.” (Romanos 12:2)

O cristão não precisa sair de uma experiência com Deus com o rosto literalmente brilhando. Mas deve sair dela com uma vida que revela quem esteve com ele. Moisés não percebeu imediatamente que seu rosto resplandecia. E nós não devemos estar preocupados em parecer espirituais, mas em permanecer diante do Senhor.

Quem é transformado por Cristo começa, pouco a pouco, a refletir Cristo. Os israelitas tiveram o privilégio de contemplar manifestações extraordinárias da glória de Deus. A glória encheu o tabernáculo. A glória encheu o templo. E nós? Somos o próprio templo de Deus (1 Coríntios 6:19).

Quanto da glória de Cristo pode ser percebido em minha maneira de viver? Quanto estamos nos mais parecidos com Jesus. Mais amorosos. Mais santos. Mais pacientes. Mais misericordiosos. Mais dispostos a servir. Mais comprometidos com a verdade. Mais semelhantes ao nosso Senhor.

Ontem falamos da adoção: Deus nos recebe como filhos. Hoje falamos da glória: Deus nos permite contemplar seu Filho e nos transforma à sua imagem. E na próxima devocional avançaremos para a terceira bênção mencionada por Paulo: “As alianças.” Porque o Deus que nos adotou e cuja glória contemplamos é também o Deus que, ao longo da história, entrou em alianças e fez promessas ao seu povo.

Prossigamos nas mensagens deste fascinante texto bíblico: Romanos 9:4-5. Bom dia.

─Valdir José da Silva, Guarulhos/SP.

Ver como seguir as meditações de Valdir neste link.

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