Quando o Reino de Deus é prioridade

POR VALDIR JOSÉ DA SILVA ─ PARA MEMORIZAR E PENSAR

Texto base: Romanos 5:17 e Mateus 6:33

“Se a morte reinou pela ofensa de um e por meio de um só, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo”.

“Mas busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhe serão acrescentadas.”

Introdução

Na devocional anterior vimos que o Reino de Deus não é apenas uma promessa futura. Ele já chegou. Por meio de Cristo fomos transferidos para o governo de Deus e, conforme ensina Paulo, já reinamos com Ele.

Mas isso levanta uma questão importante: quais são as consequências práticas de pertencer ao Reino de Deus?

Jesus responde essa pergunta em Mateus 6. Enquanto o mundo vive preocupado, ansioso e inseguro, os cidadãos do Reino aprendem a descansar na provisão do Rei e a colocar Seus interesses acima dos seus próprios.

Pertencer ao Reino de Deus significa viver sob o governo divino. Não se trata apenas de se reunir com a igrejar ou professar uma fé. Trata-se de permitir que Deus governe nossos pensamentos, prioridades, desejos, valores e decisões.

Jesus ensinou que o Reino de Deus não viria com aparência exterior, pois ele já estava presente entre eles (Lucas 17:20-21). Hoje, esse Reino continua sendo estabelecido no interior daqueles que se submetem ao senhorio de Cristo.

Quando Deus governa nosso coração, nossa vida inteira muda.

A primeira consequência: Deus assume o cuidado dos seus súditos

Em Mateus 6:25-32, Jesus descreve uma realidade que continua atual.

Ele fala sobre pessoas preocupadas com comida, bebida, vestuário e necessidades materiais. São pessoas consumidas pela ansiedade porque acreditam que sua sobrevivência depende exclusivamente delas mesmas.

Jesus chama esse modo de viver de comportamento dos “gentios” ou “pagãos” — pessoas que vivem sem a consciência da presença e do cuidado de Deus.

Observe a lógica do Senhor: “Observai as aves do céu.” (Mateus 6:26). As aves não possuem fazendas, contas bancárias ou depósitos, mas Deus as sustenta.

“Considerai como crescem os lírios do campo.” (Mateus 6:28)

As flores não tecem roupas para si mesmas, mas Deus as veste com beleza extraordinária. Se Deus cuida das aves e das flores, quanto mais cuidará daqueles que pertencem ao Seu Reino.

Isso não significa preguiça ou irresponsabilidade. Significa que trabalhamos sem sermos escravizados pela preocupação. O mundo corre porque acredita que tudo depende dele.

O cristão trabalha porque Deus lhe deu essa responsabilidade, mas descansa porque sabe que tudo depende do Senhor.

O salmista expressa essa verdade de maneira magnífica: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem.” (Salmo 127:1-2)

Quantas pessoas vivem exaustas tentando controlar aquilo que somente Deus pode controlar! Há quem sacrifique a família para ganhar mais dinheiro.

Há quem perca a saúde tentando acumular bens. Há quem não consiga dormir por causa das contas, dos negócios ou do futuro. Mas quem pertence ao Reino aprende uma verdade libertadora: o Rei cuida dos seus cidadãos.

A segunda consequência: Deus se torna nossa prioridade

A segurança produzida pelo cuidado de Deus gera uma transformação profunda. Quando entendemos que o Pai cuida de nós, deixamos de viver para correr atrás das coisas e começamos a viver para buscar o próprio Deus.

Por isso Jesus conclui: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça…” (Mateus 6:33)

A prioridade do cidadão do Reino não é o dinheiro. Não é a carreira. Não é o conforto. Não é o status. Sua prioridade é o governo de Deus.

Quanto mais somos governados pelo Senhor, mais nossos valores são ajustados aos valores dEle. Começamos a descobrir que a “cesta básica” espiritual de Deus é suficiente. Passamos a experimentar aquilo que Paulo aprendeu:

“Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.” (Filipenses 4:11)

“Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias já tenho experiência.” (Filipenses 4:12)

Esse contentamento não nasce da abundância. Nasce da confiança.

Paulo estava satisfeito porque sua segurança estava em Deus, não nas circunstâncias.

Por isso ele também escreveu: “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento.” (1 Timóteo 6:6)

E acrescenta: “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes.” (1 Timóteo 6:8)

O Reino de Deus nos ensina que felicidade não é ter tudo o que desejamos, mas descobrir que Deus já nos deu tudo o que realmente precisamos.

Como é, na prática, colocar o Reino em primeiro lugar?

Muitas vezes pensamos que buscar o Reino significa apenas participar dos cultos. Mas Jesus está falando de algo muito maior.

Buscar o Reino significa permitir que Deus governe todas as áreas da vida. É perguntar diariamente: “Senhor, o que Tu desejas para mim hoje?” O Reino se torna prioridade quando:

  • Reservamos tempo para Deus antes de reservar tempo para entretenimentos.
  • Escolhemos a honestidade mesmo quando a desonestidade parece mais vantajosa.
  • Perdoamos porque Deus valoriza a reconciliação.
  • Investimos em pessoas mais do que em coisas.
  • Colocamos a família acima da busca desenfreada por riqueza.
  • Participamos ativamente da obra da igreja.
  • Contribuímos para a expansão do evangelho.
  • Procuramos conduzir outros a Cristo.
  • Usamos nossos dons para servir e não apenas para benefício próprio.

Quando Deus governa o coração, o Reino passa a influenciar nossa agenda, nossas finanças, nossas conversas, nossos relacionamentos e nossos sonhos.

Pouco a pouco deixamos de perguntar: “O que eu quero fazer?” E passamos a perguntar: “O que glorifica a Deus?”

O Reino e a Igreja

No Novo Testamento, a manifestação visível do Reino é encontrada na comunidade dos salvos. Por isso, quem coloca o Reino em primeiro lugar inevitavelmente passa a amar aquilo que Deus ama.

  • Passa a valorizar a igreja.
  • Passa a valorizar os irmãos.
  • Passa a valorizar a evangelização.
  • Passa a valorizar a formação de discípulos.
  • Passa a valorizar o crescimento do Reino.

Não porque foi obrigado, mas porque seu coração foi transformado.

O cidadão do Reino entende que ganhar dinheiro é importante. Estudar é importante. Trabalhar é importante. Descansar é importante. Mas nada disso ocupa o lugar que pertence a Deus.

Quando surge um conflito entre os interesses do Reino e os interesses pessoais, a prioridade já está definida. Sempre são as coisas e compromissos que tenham a ver com o Reino.

Conclusão

Jesus fez uma promessa extraordinária: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.”

Observe que Jesus não manda ignorar as necessidades da vida. Ele apenas ensina a ordem correta.

Primeiro o Reino. Primeiro o governo de Deus. Primeiro a vontade de Deus. Primeiro a justiça de Deus. E então, como Pai amoroso, Deus cuida do restante.

Quanto mais permitimos que Deus governe nosso interior, menos somos dominados pela ansiedade.

Quanto mais confiamos em Sua provisão, menos dependemos das promessas vazias deste mundo.

Quanto mais o Reino ocupa o primeiro lugar, mais descobrimos que nada falta àqueles que vivem sob os cuidados do Rei.

O Reino de Deus não é apenas um lugar para onde iremos um dia. É um governo sob o qual podemos viver hoje. E quando o Reino de Deus é prioridade, tudo o mais encontra o seu devido lugar. Bom dia.

Valdir escreve suas meditações nos dias úteis e publica em vários meios. Ver como acessá-las na sua página. E também tem o site: Mergulhando na Palavra.

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