Conversão: uma mudança de vontades

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Uma terceira faceta da conversão é o ato de decidir seguir e continuar seguindo Cristo. Aquela parte do ser humano representada pelas decisões e escolhas é chamada de vontade.

Mas hoje nosso poder decisório é tão corroído e enfraquecido que ficou confundido. Fala-se frequentemente em termos de “sentir a vontade”, pois as pessoas decidem conforme sentem. As emoções tomam as decisões.

Meu amigo Mike fala da conversão como uma mudança de vontades:

Quando nos tornamos cristãos, nossa vontade se torna obediente à vontade de Deus, Romanos 6.17-18. Devemos reconhecer nossas responsabilidades a Deus e ao nosso próximo e agir de acordo, Eclesiastes 12.13; 1 João 3.22-24. Uma vez convertidos, temos o privilégio e a autoridade de entrar nos portões do céu, Apocalipse 22.14.

(Ver a lista dos artigos baseados no trabalho de Mike aqui.)

Ao nos converter, não deixamos mais que as emoções (isto é, as paixões) ou os maus pensamentos tomam as nossas decisões. Estas, agora, são guiadas pela vontade de Deus, a qual ele revela na Bíblia e, especificamente para os cristãos, no Novo Testamento. Entregamos a nossa vontade à dele.

Sim, a Bíblia vê com maus olhos quando os homens são “dominados pelas suas próprias paixões” 2 Pedro 3.3. Estas são chamadas de “vergonhosas” Romanos 1.26, “pecaminosas” Romanos 7.5, e “mundanas”, Tito 2.12. Conclusão: “Seus desejos não são bons; mas o justo viverá pela sua fidelidade” Habacuque 2.4.

A conversão troca tudo isso. “Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos” Gálatas 5.24. Isso significa que não deixamos que estas coisas nos controlam mais.

A graça de Deus não permite que continuemos seguindo as nossas vontades, mas ao invés disso ela “nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente” Tito 2.12.

À primeira vista, pode parecer que essa entrega compromete a nossa integridade, que deixamos de ser pessoas independentes. Na verdade, nunca fomos pessoas independentes. Sempre dependemos da bondade de Deus. Mas quando negamos nossa dependência e nos declaramos independentes, é nesse ponto que deixamos de ser pessoas íntegras e completas. Tito descreve bem esse estado de ser:

Houve tempo em que nós também éramos insensatos e desobedientes, vivíamos enganados e escravizados por toda espécie de paixões e prazeres. Vivíamos na maldade e na inveja, sendo detestáveis e odiando uns aos outros, Tito 3.3.

Deus nos deu o livre arbítrio, ou o poder de tomar decisões, mesmo que estas contrariem a vontade dele. Ele nos deu o poder de escolha porque queria um ser, entre toda a criação, que decidisse amá-lo. Não queria um ser consciente mas impossibilitado de tomar a decisão de amá-lo.

Em Efésios 2, o apóstolo Paulo descreve bem o antes e o depois:

Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira. (…) Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos, Efésios 2.4, 10.

Paulo expressa bem a diferença entre viver para nossas vontades e para a vontade de Deus: “Ao contrário, revistam-se do Senhor Jesus Cristo, e não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da carne” Romanos 13.14. Quando vestimos a camisa de Jesus, faremos como ele, cuja vida foi resumida assim: “Vim para fazer a tua vontade, ó Deus” Hebreus 10.7, 9.

2 respostas para “Conversão: uma mudança de vontades”

  1. Pergunta: qual a diferença entre mudança de vontade e mudança de comportamento? Eu gostaria de esclarecimentos a respeito, pois tenho um entendimento de que são coisas diferentes. Gostaria de rescaldo bíblico para entender a diferença entre elas.

    1. Oi, Caio, são diferentes nesse sentido: mudança de vontade se refere à parte do homem que trata de decisão. Mudança de comportamento é o resultado da primeira, e resulta numa conduta diferente. Em Lucas 19.8, vemos o primeiro: Zaqueu anuncia decisão de mudar, mas ela ainda não tem oportunidade de pôr em prática. Em Atos 19.19, vemos o segundo: mudança de comportamento, ao queimarem os livros de ocultismo.

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